Um nome é algo que introduz em um mundo e torna real uma vivência.
Um sítio de criações, conceitos, de sonhos sobre a realidade e de realidade procedente de uma idéia ou experiência que são origem de certa atmosfera. Há um mundo (e existe uma porção deles) produzido e animado exclusivamente e de forma simples, decorrente, pelo nome. Inaugurada a vivência, nos impregnaremos do que houver por lá, por escolha por desejo, por escolha por necessidade ou crença, ou o que seja que nos aproxima de um modo de existir.
Nomear é fazer vir e fazer ir, invocar e convocar; Também é despertar e sugerir sentidos e sons. Ter por nome é sinal e símbolo, conta dos adjetivos substanciais, da natureza e dos elementos. Conta da história pessoal e até anterior a pessoal.
O nome que se tem não anula a pluralidade, as estranhezas e os inesperados inomináveis (ninguém quer viver sem estas extensões, são deliciosas) mas nossas marcas dirão até o que desafiamos.
Helena, a mulher.
Helena é a mulher que toda mulher é impelida e provocada para ser. As meninas conhecerão o desafio quando chamadas para ser Helena, responderem seus nomes pessoais. E o primeiro insulto virá da comparação entre o seu título de identidade e a identidade de Helena. Tornar-se Helena é pertencer, renunciando a sua natureza íntima.
Helena é emblema e resignação. É a mulher da terra da cidade, do dia a cada todos os dias, das noites de repouso ou trabalho perseverante ou vigília devota. Fantástica, embora rotineira e mais possível do qualquer outra manifestação, embora irreal, à disposição do pensamento de toda mulher (e de quem da vida dela compartilha) quando percebe que lhe faltou qualquer coisa, a mais singela das coisas, que decerto pertence a outra mulher, outra de um tipo que seu nome não é por recusa, por natureza, por verdade ou distração faceira.
Helena é aquilo que em crença (crença particular e social, compartilhada entre mulheres e homens em sociedade) falta na mulher de nome seu, construído, próprio, para ser completa, decente e infalível, a que nunca se engana ou erra. É o nome que distingue a comparada inabalável nas ocasiões de perda, desfeitos em não existência o desejo, o sonho, a vontade, quando nem ninharia não há findo um plano, uma ânsia, um movimento, trabalho, uma afirmação.
Por todo desvio de um caminho querido há uma lacuna pessoal, dela invoca-se Helena. O mais provável é que Helena seja o próprio erro e que a falha pessoal contivesse a solução, mas o costume manda e o costume inventa a História. O querer do costume jura pelo tempo contado em acúmulo de séculos e esta entidade exerce mandado supremo contra o siso: Invoca-se Helena por reparo, emulação e salvação.
Helena é também o nome da culpa pelo descompromisso quando deixamos de planejar e calcular. E deixamos.
Deixamos.
Flanando, quietas, em tantas velocidade quanto o nome contem em si, usamos o tempo dedicadas ao tempo presente e aos espaços e às luzes; E às pessoas em seus tempos e ao homem do desejo sem tempo (sem tempo de marcação, nem de contagem, desejo liberto);
E usamos o tempo dedicadas ao saber, conhecer e experimentar; E pensar. Pensar muito, pensar demais, até querer pensar vazio, porque este caminho é só do desconhecido e de tanto em tanto causa arrepio. Pensar como o respirar. Até conhecer outros ritmos do respiro que pareciam guardados no corpo ou jamais imaginados, capturados numa coincidência, talvez o respiro abandonado no ar por outro corpo, talvez por um pássaro ou um vestígio de fotossíntese de uma árvore generosa, deixou solto no ar aquele jeito de lidar com o oxigênio para quem pudesse provar.
Deixamos como uma embarcação leve e pobre portanto sem intentos grandiosos, portanto sem sérios compromissos.
Deixamos com senso, mas senso estudado, trabalhado, fundamentado e não sugerido ou ordenado. Usamos o tempo dedicadas ao pensar à toa e por muito. Pensar e produzir ou só pensar.
Flanando, quietas, em tantas velocidade quanto o nome contem em si, usamos o tempo dedicadas ao tempo presente, edificando títulos pessoais e cada vez mais completos dos nossos próprios detalhes.
Feito pela própria pessoa, o nome é a mais sólida verdade e verdadeira preciosidade humana, jóia exclusiva da biologia de cada um. Humano, o nome próprio de uma mulher certas vezes parecerá pequeno, frágil, inútil ou pouco diante da vida onde as pessoas estão reunidas em grupos, intenções e necessidades.
Não há idade determinada, mas toda garota escolherá entre um nome pessoal (que pode começar por seu nome de registro) ou aceitar ser Helena que dificilmente não é a primeira instrução sobre ser mulher que as meninas recebem, em qualquer sociedade.
Não há idade determinada, mas o início da construção de um nome pessoal ou Helena ocorre nas primeiras idades da imaginação e inteligência, afinal é a decisão por experimentar as próprias tendências naturais particulares ou ser Helena, a mulher.